Esta manhã ligou-me a perguntar se eu estava bem. O J. é um homem muito atento e terno. Liga-me muitas vezes, muitas mais do que eu a ele. Tem sempre um tom meigo que me agrada tanto. É como estar em casa num dia de Inverno! Queria saber de mim antes de ir trabalhar porque tinha tido um pesadelo. Tranquilizei-o.
Falámos sobre nós e quando olhei para o relógio, já eram horas.
Cheguei tarde ao trabalho. Com o coração cheio de Amor e muito grata por te-lo comigo. Não só hoje mas desde sempre.
Há uns anos escreveu-me um postal depois de uma noite de sonhos atribulados (a?). Dizia que às vezes tinha muito medo e que gostava de ser um pouco tolo para não se apreceber de algumas coisas. Mas que apesar de tudo, tinha a certeza, era muito bom viver.
É para nós que canto esta canção.
Bairro do Amor
No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de côr
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o Sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar
O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há hotéis nem hospitais
No bairro do amor cada um tem que tratar
Das suas nódoas negras sentimentais
Eh, pá, deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair-me um pouco
Eu sei que tu compreendes bem






