O Minimi é o terceiro. O terceiro filho, o terceiro neto, o terceiro puto a "chegar lá a casa". Por isso, chamo-lhe o Minimi. Tem olhos vivos, grandes. Mexe-se demais para o tamanho dele e risse à grande cada vez que a irmã fala com ele. O Minimi, quando apareceu na barriga da mãe dele, foi muito dificil porque a nossa sociedade é má e não muda grande coisa com o tempo. Assim, e quando a mãe do Minimi me disse, eu saltei de alegria. Lá em casa, eu também sou a terceira e há 30 e tal anos quando a minha mãe avisou o mundo do seu estado, algumas "maravilhosas" almas brindaram-na com:
"3 filhos não é demais nos tempos que correm?"; "E agora como vai fazer?"; "Como essa idade não vai abortar?"; "Sabe lá se o seu filho é normal. E se não for, como é?"; "O melhor é não contar já aos irmãos porque depois há muito tempo."
De salientar que a minha mãe tinha 40 anos e que trabalhava fora de casa. De salientar também que o meu pai era "casado" com o trabalho e que o dinheiro não abundava. A minha mãe teve-se e só quando me viu é que acreditou que eu não tinha um olho ao peito nem era perneta. Criou-me em pânico que alguém ao alguma coisa lhe roubasse a saúde para me ver mulher. E quando a minha filha nasceu, ela escreveu-lhe para lhe dizer que Deus ou qualquer outro Ser Fantástico a protegeu durante aqueles anos para naquele dia ela conhecer o fruto do fruto dela. E para além de ela estar profundamente agradecida, estava muito feliz por continuar a ter saúde para criar a neta.
A família do Minimi podia ser a minha. A história do Minimi podia ser a minha. E se calhar é por isso que eu sou a Madrinha e ele o Afilhado.
(já te disse isto Minimi, mas digo-te outra vez: bem-vindo a este mundo cheio de gente louca mas muit boa!)