sábado, 28 de abril de 2007

C, P, R e eu


A C., a P. e a R. são as 3 amigas sérias. Daquelas com quem conseguimos estar caladas e juntas.
Esta semana elas foram muito mais importantes do que alguma vez na minha vida. Ou se calhar eu é que as senti de uma forma mais intensa. Sim, pode ter sido.

Foi mesmo bom. Rir, contar piadas, falar de coisas sérias, planear o futuro, definir sonhos e Ser com elas.
Sorte a minha!

Acerca da Abundância

Esta semana almoçei com o J. Estivemos num restaurante quase vazio, com um empregado simpático e a saborear a comida do Médio Oriente.
Gosto dele. Muito. De tudo. Da forma como me ama. Incondicionalmente. Sinto-o com todo o meu corpo e com toda a minha alma.
Gostei do almoço. Tivemos tempo para gastar e muitas coisas para dizer, e contradizer e refaze-las numa linguagem só nossa. Sem a pressa do trabalho ou as limitações de estranhos. Sim, também falámos sobre eles, ou outros, de quem gostamos e com, nem sempre, nos é fácil o contacto.

"- Sabes, tenho uma coisas para te dizer." - e disse. Com toda a franqueza da minha alma. Com toda a doçura.

Entendemos os 2 que aquele início de frase era verdadeiramente decisivo em nós.
A mudança foi profunda e muito serena: Seguimos juntos.

quarta-feira, 25 de abril de 2007

Eu agora quero-me ir embora

Este é o livro que estou a ler. É do João dos Santos, um pedopsiquitra maravilhoso que muito sabia sobre crianças.

Aconselho a leitura para os mais interessados na matéria.

Entretanto aqui fica um bocadinho:


"(...) E o miúdo perguntou-lhe:

- Tu sabes pintar?

E a mãe respondeu-lhe qu não sabia pintar tão bem como ele.

- Ah, mas é muito simples. (disse o miúdo). Olha, tu arranjas um pincel, e depois é só ter tinta e fazer festinhas no papel com o pincel.

(...)

O fazer fetinhas significa para mim ter consciência da existência de um corpo. (...) E para ele é tudo fácil, é tão fácil fazer um pintura bonita, é só transformar as festinhas que a mãe lhe fez em cor e em forma, é só passá-las para o papel, é só lembrar-se delas, pintando-as. (...)"



quinta-feira, 12 de abril de 2007

O meu Amor

Acordo sem o contorno do teu rosto na minha almofada, sem o teu peito liso e claro como um dia de vento, e começo a erguer a madrugada apenas com as duas mãos que me deixaste, hesitante nos gestos, porque os meus olhos partiram nos teus.
E é assim que a noite chega, e dentro dela te procuro, encostado ao teu nome, pelas ruas álgidas onde tu não passas, a solidão abertanos dedos como um cravo.
Meu amor, amor de uma breve madrugada de bandeiras, arranco a tua boca da minha e desfolho-a lentamente, até que outra boca -e sempre a tua boca - comece de novo a nascer na minha boca.
Que posso eu fazer senão escutar o coração inseguro dospássaros, encostar a face ao rosto lunar dos bêbedos e perguntaro que aconteceu.
Eugénio de Andrade

A Loucura, a Preguiça mais a Curiosidade e o Amor

Apesar de ser em brasileiro, acho que vale a pena ler.
Gosto de pessoas e das coisas delas.

A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa.
Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?
- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.
- Esconde-esconde é uma brincadeira. Eu conto até cem e vocês se escondem.
Ao terminar de contar, eu vou procurar, e o primeiro a ser encontradoserá o próximo a contar. Todos aceitaram, menos o Medo e a Preguiça.
1,2,3,... - a Loucuracomeçou a contar.

A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore. A Alegria correu para o meio do jardim. Já a Tristeza começou a chorar, pois não encontrava um local apropriado para se esconder. A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele debaixo de uma pedra.
A Loucura continuava a contar e os seus amigos iam se escondendo.
O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já estava no noventa e nove.
CEM! - gritou a Loucura. - Vou começar aprocurar...
A primeira a aparecer foi a Curiosidade, jáque não aguentava mais querendo saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura viu a Dúvida em cima de uma cerca sem saber em qual dos lados ficar para melhor se esconder.

E assim foram aparecendo a Alegria, a Tristeza, a Timidez...
Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:
Onde está o Amor? Ninguém o tinha visto.
A Loucura começou a procurá-lo. Procurou em cima da montanha, nos rios, debaixo das pedras e nada do Amor aparecer.
Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou umpauzinho e começou a procurar entre os galhos, quando de repente ouviu um grito.
Era o Amor, gritando por ter furado o olho com umespinho. A Loucura não sabia o que fazer. Pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu segui-lo para sempre.
O Amor aceitou as desculpas.
Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre...

terça-feira, 10 de abril de 2007

Também eu gosto de brincar com o fogo

Gosto de bincar com o fogo

Gosto de brincar com o fogo
de jogar com as palavras
adoro coisas perigosas
incómodas e jocosas

Gosto de coisas obscenas
de soltar as fantasias
brincadeiras maliciosas
perversamente gostosas

Nunca peguei numa arma
eu nunca matei um homem
nunca violei mulheres
nunca massacrei crianças

Neste mundo em chamas
neste planeta a arder
neste inferno na terra
temos tudo a perder

Gosto de brincar com o fogo
deitar achas p'rá fogueira
gozar os truques da mente
e confundir toda a gente

Interessa-me a puberdade
excitam-me as pernas das freiras
gosto de provocar danos
nas teias dos puritanos

(...)

Jorge Palma

domingo, 8 de abril de 2007

Abundância

Por estes dias tenho repetido vezes e vezes sem conta esta palavra:
ABUNDÂNCIA
enquanto me divirto com a música!

Aqui somos felizes: Mértola

Adoro viajar. Fazer as malas e ir. Sem horários, sem deveres e com o coração bem aberto.
Gosto de descobrir caminhos, de comer coisas diferentes, de ter a mochila às costas e de Ser, nem que por breves momentos, um bocadinho, o Outro.







Estes dias estive em Mértola. (O Alentejo, um dia ainda será, a minha segunda casa.) É uma vila com uma forte influência islâmica, com ruas estreitas e as casas todas branquinhas. A comida, nas primeiras refeições, não foi das melhores. Mas rapidamente descobrimos onde elogiar, mais uma vez, os petiscos alentejanos.

A D. Néné tem uma casa fantástica. É uma velhota risonha com a voz atacada pela tosse. O que a ajuda é mesmo o Martini no café Guadiana. "Ai menina, aqueles rapazes só brincam co' a gente."

Gostava de lá voltar. Ao Alentejo. Mais um cem número de vezes e por lá me demorar o que o tempo quiser.