sexta-feira, 28 de setembro de 2007

A (re)construção de uma casa




Há tempos que penso e desejo com todas as minhas forças uma casa à minha medida. Umas paredes com qualquer coisa lá dentro, umas janelas para me enfeitar e uma porta para entrar e sair sempre que queira. Não precisa de ser grande. Precisa é de ser minha.
De modo que o Universo ofereceu-me uma de presente. Uma casa velha, cheia de mato à volta, com pó e coisas sujas, mesmo a precisar de um arranjo. Só há uma questão, a casa não é minha e consequentemente não a posso arranjar da minha forma. Mas tem uma grande vantagem, a maior de todas: abrir um espaço amplo para, na minha vida, surgir uma coisa só minha. Tenho mesmo a certeza.
Ando a mastigar no assunto: faço planos, compros produtos de limpeza, organizo ideias. (Eu chego lá) Arranjei também um Sol para poder ficar mais quentinha e cheia de energia para poder levar a minha tarefa até ao fim. É já para o outro fim-de-semana.

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Um dos dias mais importantes do ano


17 de Outubro!!
Sim! Esse dia maravilhoso em que o mundo sofreu uma volta para nunca mais voltar a ser o que era. Este ano, passados 27 anos, voltamos ao mesmo. Adoro o número 7: importantissímo. Deve ser por isso que o Universo conspirou todo a meu favor e decidiu erradicar a pobreza - http://pobrezazero.oikos.pt/levantate/ - especificamente este ano!

Por partes, por favor: estes dias internacionais dão-me uma certa "alergia" epidérmica. Oh meu Deus, mas precisamos de ter estas datas para nos lembrarmos das coisas verdadeiramente importantes da nossa vida? Se assim é, mal vai a coisa. (e aqui para nós, para mim, estas comemorações não passam de manobras de marketing foleiro.) Por outro lado, acho que corremos o risco de mais uma vez sectorizarmos o problema sem compreendermos a questão no seu total: a probreza (como aliás muitos outros conceitos) são muito mais abrangentes do que os nossos media e a nossa agenda politica quer fazer passar. Assim, e por último, somos todos chamados a "levantar-nos", sim! Somos todos chamados a trabalhar nos nossos empregos de forma responsável e séria; a estarmos nas nossas relações com verdade e amor; a estarmos ao serviço dos outros; a darmos uma valente gargalhada todos os dias; a cantar e a dançar frequentemente; a sonharmos; enfim a contribuir para a erradicação definitiva da probreza de espirito que às vezes nos invade.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

É hoje, foi HOJE


- Eu vou lá ficar.

Foi mais fresco que as primeiras chuvas de Outono. Agradeço e danço de alegria.

sábado, 22 de setembro de 2007

Programa de sexta-feira à noite

• Fazer o jantar enquanto a máquina de roupa termina e a outra já está a secar lá fora
• Arrumar a loiça de ontem
• Esperar
• Trocar mensagens com o namorado e esperar (outra vez: “ Bom, pode ser que não seja como na última 6ªf: até às 3h da manhã”)
• Jantar à frente da tv
• Arrumar a cozinha e esperar (“Estou quase a sair”)

De repente vêm-me à memória umas passagens há muito arrumadas no sótão. Esta espera tem qualquer coisa de déja vu com gosto a azedo. Mergulho então no meu mundinho da pergunta e mais pergunta de onde muitas vezes só saio a ferros. A ajudar: ser gaja e ter muito tempo, sim tempo de sobra! Não acredito em coincidência. Acho-nos profundamente ligados uns aos outros e caso haja uma reedição de um episódio na nossa vidinha, então, tenho a certeza de que há qualquer para aprender (e rápido!).

• Adormeço no sofá sozinha
• O gajo chega, oiço o barulho do carro a entrar na garagem do prédio
• Acompanho-o à ceia e falamos de trivialidades
• É tarde e vamos dormir

Como despertei entretanto, não consigo dormir. Lá volto eu. Doenças não: simplesmente não tenho paciência! Cansam-me os médicos, os medicamentos e toda a “dieta” que lhes está inerente. Então porquê eu? Porquê isto outra vez? Tão parecido que até arrepia. A resposta veio suave.

Sou, e sempre fui, muito independente. Com facilidade fico sem ar. Pois que a vida me esclareceu como se de um dicionário se tratasse: uma mulher É pela sua condição e não pelo que TEM; emancipação nada tem a ver com modas, sucessos ou leis; independência não é sinónimo de trabalho nem ausência de relações; SER é do domínio do natural e independente do sítio onde estamos; e por último, a FÉ é domínio da certeza absoluta.

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Aqui somos felizes: ainda a propósito de Sábado

A ideia é jogar contra os rapazes. Não com os rapazes.

Só não vale ficar sentado a ouvir!!!

Porque acho que nasci para isto



Desde que acabei o curso que tenho trabalho em museus. Gosto muito. Acho que tenho jeito e estou disposta a aprender cada vez mais e mais neste meio.
Não sei se é a profissão da minha vida mas o que é verdade é que as apostas que tenho feito têm dado certo. Contudo, e por fragilidades inerente à raça humana, às vezes duvido de mim mesma e da natural fluência da vida.
E pronto, esta manhã, enquanto trabalhava, levei um chuto no rabo:

- Para a frente! Se gostas, é para a frente e é já!!!

Por isso, cá está. A certeza de que vou estar neste atelier e de que vou conhecer mais uma série de museus. A certeza de que vou continuar gostar e que vou encontrar um lugar para mim. Um lugar à minha medida!!

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Fala quem sabe

«Varinos, nós?

Como musealizar um sentimento...



"O objecto só tem existência no gesto que o torna tecnicamente eficaz" (A. Leroi-Gourhan)



Mas então que objectos são esses que nos propomos apresentar nesta exposição? Que gestos ou, mais precisamente, que gestualidades, os tornam significativos? Que subtilezas lhes conferem emoção? Como musealizar um sentimento... eis a questão.

O desafio era suscitar inquietação relativamente a uma categoria identitária – os varinos, em Setúbal, aparentemente cristalizada num beco histórico. Ora, tendo como lastro o aturado trabalho de campo realizado por Marta e Ricardo, finalistas de Antropologia da Universidade Nova de Lisboa, em estágio académico no Museu do Trabalho Michel Giacometti, procurámos transpor para uma linguagem museográfica, um dos aspectos mais marcantes deste estudo. A identificação de " um sentimento varino ", algo difuso, de difícil definição, de que nos falam algumas pessoas, de várias gerações, ligados a famílias de origem murtoseira que migraram para Setúbal desde meados do Sc XIX, em demanda de trabalho nas pescas e nas conservas.

A identificação desta identidade, tantas vezes patenteada como um pitoresco " bilhete postal" carece de redefinição. Carece de perguntas para as quais raramente encontramos respostas nas palavras ditas. Hoje, quando perguntamos aos nossos informantes, o que é e como se distingue um varino, reportam-se a coordenadas de espaço/tempo – alguém que habita algures entre as Fontaínhas e o Bairro Santos Nicolau, que tem ascendentes na Murtosa e que vivia de certa maneira, segundo certos princípios... hoje muito difíceis de identificar e quase impossíveis de materializar expositivamente.

A questão está em que os tempos mudaram e a ideia idealizada do pescador "bilhete postal" de camisa de xadrez e boné também de alterou. Assim sendo, urge questionar que auto-representação têm os mais jovens desta suposta identidade varina, que imagem têm os setubalenses do afamado pescador de Setúbal.

Pergunta-se mesmo à laia de provocação – constituiria motivo de interesse etnográfico pretexto fotográfico, bandeira turística ou tema patrimonial, um jovem pescador que de manhã navega no rio e à tarde na internet ? Um personagem aparentemente indistinto, que usa calças " Lois", polos " Lacoste " e óculos " Ray Ban ". Em que cartografia da memória ele se inscreve? Em que paisagem humana o fantasiamos? Que futuro lhe vaticinamos?

Esta personagem, paradigma de muitas outras, não é ficção, tem uma existência real na comunidade marítima local, sintetizada na história de vida do elo mais jovem de uma das famílias de varinos por nós estudadas.

Por imposição dos tempos, por mimetismo social, em resposta a novas necessidades e funcionalidades da vida moderna, este pescador de novo tipo, cortou as amarras com os estériotipos, perdeu definitivamente os sinais exteriores de exotismo ditados pelo vestir, pelo falar e pelo estar. Habita hoje outro espaço na cidade, portanto é dentro de si próprio que temos que ir descobrir o tal " sentimento varino "que vem à baila, quando nos fala da infância no Bairro Santos, dos magotes de rapazes que percorriam a pé a cidade, dos tempos passados com o pai na pesca, da ritualização dos costumes, do bater das cartas nas tabernas. É alguém que se sente filho do mundo contemporâneo, membro da comunidade global, mas ciente e seguro de uma origem determinada que o engrandece e âncora a um passado marcante. Falou-nos do alto dos seus trinta e sete anos, da enorme vontade de deixar tudo e seguir as pegadas do pai, investir no velho barco de família, um gasolino chamado " Alice dos Santos ", vezeiro nas Festas da Tróia e zarpar, mar dentro, a pescar chocos, lulas etc., seguindo a tradição da família, sem abdicar da companhia do pc portátil que o atira para as velozes ondas do mundo, quando as águas do rio estão mais paradas e o peixe adormecido.

Assim, voltando à questão como musealizar um sentimento, neste caso "um sentimento varino ", optámos por pedir a cada família que escolhesse um objecto significativo da herança varina, com o intuito de apresentar cinco objectos com "estória" de forte memória. Surgiu um problema – homens e mulheres não se entendem nessa escolha. Então mudamos as regras e combinámos expor dois objectos por cada família, um escolhido pelos homens e outro pelas mulheres. Também cada família retirou do álbum as fotografias mais significativas para expormos no museu. Tudo será legendado com a participação dos nossos interlocutores e na sua forma de contar. Mas alguns, sobretudo os mais velhos, não sabem ler... então filmámos, para acesso visual, o que nos disseram sobre os respectivos objectos, as significações e gestualidades associadas. Então, foi muito interessante descobrir, o que nem sempre as palavras explicam, - a exemplificação do uso de um simples xaile preto de merino, com franjas de seda, guardado há cerca de noventa anos, no seio de uma das mais antigas famílias , mostra-nos que este assume distintas formas consoante a ocasião. Uma linguagem simbólica, provavelmente um traço da identidade varina (a confirmar em estudos comparados), reconhecida entre as mulheres da comunidade, passada de geração em geração. Uma memória singular, sedimentada nos gestos: - "o xaile para o dia-a-dia", caído pelo corpo sem artifícios; "o xaile para festa", alegre, descaído sobre os ombros; "o xaile para a missa" e o "xaile para sentimento " que, em sinal de respeito ou de luto, tapa a cabeça e aconchega a dor.

Os objectos nesta exposição são um mote para desfiar "estórias", âncoras de memórias, contornos de um "sentimento varino " que talvez um dia venhamos a compreender.

Por essa mesma razão começámos este texto com um ponto de interrogação – Varinos, nós? Por vezes surpreendidos com este epíteto, tão longe vai o tempo da varinagem, e acabamos com reticências... em sinal de continuação. »



Isabel Victor

Museu do trabalho Michel Giacometti

Setembro, 2007




Eu vou dar lá uma espreitadela!

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Sábado a dentro



Gosto de cozinhar; de preparar a casa e receber os amigos. Gosto de beber um bom vinho enquanto me vou rindo. Gosto que a comida sobre e do cheiro que fica depois de toda a gente sair.

É assim, quase sempre quando os meus pais saem.

Há quem já fale de um mito: os jantares aqui em casa. Há quem jure apanhar uma bebedeira sempre que aqui entra. É bom. Muito bom quando vejo a cozinha cheia, o sofá preenchido e a alegria.Sim, sobretudo a alegria. Mesmo quando os jantares terminam mais cedo porque já não aguento mais com quanto sono. É sempre muito bom.

Jantares fora? Sim, gosto. Fins-de-semana prolongados longe de casa? Quantos mais melhores. Mas ninguém me tira este "gosto". Não há outro igual!

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Provérbio

Até aos 21, caso com quem o meu pai quer
Dos 21 às 28, caso com quem eu quero
A partir dai, venha quem vir, não fica sem mulher.



Como???????????

Os meus segredos



Tenho uma prateleira no armário do meu quarto só para coisinhas boas do coração. Papel de carta bonito, fitas, furadores de papel, canetas várias, enfim... algumas das coisas que nos fazem bem! Ali recorro sempre que tenho de fazer um presente especial, sempre que quero surpreender alguém, sempre que a alma mo pedir.

Ao contrário de algumas "opiniões", não acho que isso seja especial. Quer dizer, só na medida em que isso me define e é muito importante para mim. Afinal de contas não passam de pequenos mimos. Gosto muito de não fazer presentes convencionais e de fazer sorrir quem os recebe.

Faço também outras coisas, coisas de menina, coisas que não parecem usar-se mais. Sou eu! Assim a querer gostar dos outros mais e mais da vida e das pessoas.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Apropriado, diria, no mínimo



Quase tão essencial como respirar!

E, enfim... SÓ!!!



Este vai ser um tempo importante. Silêncio porque agora é tempo de sentir tudo com muita força e de ser: SER aquilo que realmente sou.
Já fiz um apelo para estarem comigo todos os que têm uma luz intensa dentro de si. Pacientemente vou esperar e gozar a oportunidade. Eu, mais EU!

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Por favor, civismo!! Precisamos muito!!!

No mundo dos afectos

É possível fazer um casamento onde a alegria está presente. Não importa o que aconteceu há 5 000 anos atrás porque hoje estamos todos aqui cheios de amor e com uma vontade genuína de celebrar.
É possível dizer: "Estou cansada; cheia de medo; desanimada e não sei muito bem como se saía daqui." Só o facto de se conseguir dizer é, já em si, um acto profundamente libertador.
É possível aceitar um elogio, um abraço, um carinho.
É possível acreditar que amanhã será melhor porque estamos juntos e por isso mais fortes e com mais certeza das nossa vontades.
É possível sermos mais serenos, mais amados, melhores.

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Aqui somos felizes: jantar no Sábado



A adoração a "Conventual"!



Um brinde à malta!




O sorriso contagiante!

É já para sábado próximo. Um jantar dos nossos onde só nós podemos entrar, que só nós conhecemos. Que bom estarmos de novo aqui!

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Alguém se mete com estes "maus"???

Nada é impossível de mudar

Nada é impossível de mudar

Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.
E examinai, sobretudo, o que parece habitual.
Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural, pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada, de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada, nada deve parecer natural nada deve parecer impossível de mudar.

Bertold Brecht

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Hoje faz anos!

Passaram meses, e hoje ao almoço matámos as saudades. Que bom: nós as 2!!
Passaram 4 anos, e hoje ele está mais tranquilo. Falei rapidamente ao telefone: a vida, surpresas, a gravidez, nós diferentes
Passaram 33 anos, e hoje dá-se os últimos retoques para a boda de Domingo. ("Foi com esta idade que Cristo foi cruficidao!" - Meu Deus...)