sábado, 22 de setembro de 2007

Programa de sexta-feira à noite

• Fazer o jantar enquanto a máquina de roupa termina e a outra já está a secar lá fora
• Arrumar a loiça de ontem
• Esperar
• Trocar mensagens com o namorado e esperar (outra vez: “ Bom, pode ser que não seja como na última 6ªf: até às 3h da manhã”)
• Jantar à frente da tv
• Arrumar a cozinha e esperar (“Estou quase a sair”)

De repente vêm-me à memória umas passagens há muito arrumadas no sótão. Esta espera tem qualquer coisa de déja vu com gosto a azedo. Mergulho então no meu mundinho da pergunta e mais pergunta de onde muitas vezes só saio a ferros. A ajudar: ser gaja e ter muito tempo, sim tempo de sobra! Não acredito em coincidência. Acho-nos profundamente ligados uns aos outros e caso haja uma reedição de um episódio na nossa vidinha, então, tenho a certeza de que há qualquer para aprender (e rápido!).

• Adormeço no sofá sozinha
• O gajo chega, oiço o barulho do carro a entrar na garagem do prédio
• Acompanho-o à ceia e falamos de trivialidades
• É tarde e vamos dormir

Como despertei entretanto, não consigo dormir. Lá volto eu. Doenças não: simplesmente não tenho paciência! Cansam-me os médicos, os medicamentos e toda a “dieta” que lhes está inerente. Então porquê eu? Porquê isto outra vez? Tão parecido que até arrepia. A resposta veio suave.

Sou, e sempre fui, muito independente. Com facilidade fico sem ar. Pois que a vida me esclareceu como se de um dicionário se tratasse: uma mulher É pela sua condição e não pelo que TEM; emancipação nada tem a ver com modas, sucessos ou leis; independência não é sinónimo de trabalho nem ausência de relações; SER é do domínio do natural e independente do sítio onde estamos; e por último, a FÉ é domínio da certeza absoluta.

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