quarta-feira, 31 de março de 2010

Coisas da vida


Hoje foi um daqueles dias que quando fechei a porta de casa desejei que, na verdade, a estivesse a abrir. (e a nova aquisição lá de casa a chamar por mim baixinho: S. não te vás embora. Fica aqui comigo.)

segunda-feira, 29 de março de 2010

Homens: onde estão os são como o vinho do Porto?

Ainda a propósito disto, acabei mesmo agora de comprovar novamente a minha teoria: o Universo é perfeito! Do que eu fui poupada, céus!! Não. É que a coisa está a tornar-se mesmo critica. Tenho para mim que, como já disse muitas vezes, vou mesmo deixar de pedir o que quer que seja ao Universo. Porque pela amostra anexa, eu não escolher (excepção feita ao meu gajo. Mas também, lá está. Até nisso: foi o gajo me escolheu a mim!).
Então não é que o meu coração pulsou forte por um certo rapazito durante a adolescência. Tenho a certeza que o gajo nunca soube da minha existência e portanto, nunca chegámos a lado nenhum. O tempo passou e eu encontrei já na Faculdade. Nessa altura, ainda pensei: eh pá S. que bom gosto que tu tinhas. Ainda hoje, se não fosse cá por coisas, davas uma voltinhas com este gajo. Cruzámos-nos umas quantas vezes, o gajo era amigo da minha irmã, desenrascou umas coisas à malta e pumbas, desapareceu no mapa. Ora, hoje, nem sei eu bem porquê nem como, dou de caras com o gajo. M-E-U D-E-U-S! Assim de repente só tenho uma coisa a dizer: é por estas e por outras que com o tempo TODOS os nossos heróis desaparecem. O "bicho" tem um grande estilo (mas também é a única coisa que conservou), está magrissimo, tem um pitó (sim, uma trampa de um pitó) na nuca e diz que canta. Com fãs, um disco lançado e o caneco. E a gente acredita. O que é preciso é ser-se feliz e está visto que o rapaz o é (e eu também. Muito! Mas mesmo muito .... Cruzes, Canhoto!)

sexta-feira, 26 de março de 2010

Ai vão 2...

2 anos de gente, 2 anos de Piratinha, 2 anos de Chica!

quinta-feira, 25 de março de 2010

quarta-feira, 24 de março de 2010

Este não é um baby blog (III)


Rebenta a bolha. E porquê? Porque a partir de agora os meus ouvidos passaram a filtrar frases que englobem, em conjunto ou mesmo separadamente, palavras como: quando, bebé, eu. Pura e simplesmente vou fazer de conta que não está cá ninguém e mudar estrategicamente de conversa. Eis algumas coisas que tenho ouvido (seguidas das respostas que a minha cabeça maluca congemina enquanto me saí um politicamente correcto: um dia destes.)

- Ah S. mas já está na altura.
Como? Toda a gente sabe que os trinta de hoje, são os vinte de antigamente. Portanto, pelas minhas contas, eu ainda tenho 19. E toda a gente concorda que uma gravidez na adolescência é complicado.

- Ah mas oh S. com a criança depois tu cresces.
Quê? Mas isso é uma intimação? Algum inevitável. Mas... onde está a história do Peter Pan e da Sininho? Oh por favor, não acabem já aqui com todos os meus heróis. Já só me falta saber voar para chegar lá.

- Ah oh S. mas depois tu vai ver que é muito bom.
Ora pois, então e quando o chavalo acordar a meio da noite só porque sim, ou quando quiser brincar comigo como a Chica quis outro dia, ou quando acordar cedinho ao fim-de-semana, eu por acaso poderei reclamar para a fábrica? Terei algum tipo de associação que defenda os meus direitos à sopa e descanso? Não? Então não quero.

- Ah S. mas tu tens tanto jeito com crianças. Normalmente as pessoas que trabalham com elas até querem ser mães cedo.
E gosto. Muito mesmo. Mas lá está, gosto no horário laboral. Estou farta de dizer isso. É tão divertido que aconselho toda a gente. No horário pós-laboral gosto, lá está mais uma vez, de sopas de descanso. E quanto ao cedo, eu já disse que ainda sou adolescente.

Bom, e agora que já testei e comprovei o meu estado criançola, vou fazer pela vida e ver das criances (DOS OUTROS!!! ok?)

terça-feira, 23 de março de 2010

Eu em modo fiteira, inventiva.

Ontem fui ao médico. E para princípio de conversa odeio estes "passeios". Não pelos médicos em si, que até ao momento tenho mais a dizer bem do que mal mas porque assim que penso em marcar uma consulta vem-me logo à ideia as hipocondriacas que não largam os consultórios por nada deste mundo. Bom, mas com mais ou menos pancas, lá fui eu com umas dores de barriga daqui até ao outro lado da estrada. Estava mesmo a sair da minha salinha quando dou de caras com a minha chefe.
- Não quer ir por mim ao médico, pois não? - a minha última tentativa de fugir com o rabo à seringa.
- Mas porque? - pergunta a chefa sem ligar nenhuma ao meu profundo ar de sofrimento.
- Ora, porque não me apetece ir e assim como assim, temos de ser uns para os outros e Dra. podia ir lá por mim.
- Ah claro. Então e o que é que eu dizia? - pergunta ela, qual desenrascada, sem conhecer as potencialidades infinitas desta minha cabeçinha pensadora.
- Então diz que vai em minha representação, que eu estou muito bem obrigada, que fiz todos os exames que a médica me passou no ano passado (e que está tudo bem! digo eu, especialista no meu corpo), que tenho bebido muita águinha todos os dias como uma boa menina e que para o ano, juro (pela minha saudinha) que vou lá em pessoa.

segunda-feira, 22 de março de 2010

Só uma gaja entende isto (VII)

Camisolinha de Primavera no lombo. Vestida a rigor para a entrada do Sol. As janelas e portas de casa bem abertas para arejar todo e qualquer fedor que se tenha impregnado durante o Inverno. Limpezas a fundo. Diminuição significativa de roupa na cama (afinal já estamos na Primavera) - eis um retrato fiel de ontem.
Hoje, céu da boca alto, pingo no nariz, pé frio, a cabeça quente e a garganta arranhada. Isto promete. Oh se promete!

sexta-feira, 19 de março de 2010

Semelhanças

Na imaginção fértil
No interior acriançado
No gosto por festas, gentes e palhaça
Na crença de que o Universo é o limte
Na intransigência
Na ausência de azedume
No gosto pelas viagens
Na pouca paciência
Na alegria de inventar sempre, mais qualquer coisa
Nas saudades
Na concha onde só entramos nós e MAIS NINGUÉM
Na Fé de que tudo passa.
(calhando ainda somos da mesma familia...)

quinta-feira, 18 de março de 2010

Embrace life


O spot “Embrace Life” já foi visto por mais de 2,6 milhões de pessoas, no Youtube, e transformou-se num fenómeno de marketing viral, desde que foi lançado, a 29 de Janeiro. Produzido para a prevenção rodoviária do condado de Sussex, a Sussex Safer Roads Partnership (SSRP), em Inglaterra, o vídeo corre o Mundo e desperta o interesse em muitos países. Brasil, Canadá, França, Emirados Árabes Unidos e quatro estados dos EUA já pediram licenciamento para passarem o anúncio.

quarta-feira, 17 de março de 2010

A minha alma está de luto

A minha alma está de luto.
Soube ontem, a propósito do sem etiqueta, que estes meninos/ senhores/ chefes acabaram com a patrulha LINCE. Sim! É mesmo verdade. Levei a noite a mentalizar-me, tentanto controlar as lágrimas que me escorriam pelo rosto enquanto via as fotos (que me recuso a divulgar aqui com medo de más interpretações por parte de algumas mentes hereges), as provas irrefutáveis do valor da LINCE. Acabaram, assim sem dó nem piedade alguma, com toda a mística da grande patrulha feminina. Aquela que levou 5 kgrs de batatas para 5 meninas para uma refeição, aquela que cantava nos transportes públicos só mesmo para irritar as velhinhas, aquela que lavou tachos e panelas com shampoo e uma toalha turca, sim, aquela que foi a espinha dorsal de toda a minha formação.
O que é que fizeram? Formaram só patrulhas mistas. O que equivale a dizer que não vou poder voltar aqui para contar como foi e saber como é agora. Quem é que vai garantir a continuação da gloriosa LINCE? Agora os ideais são outros e eu, só com os nomes já me assustei: morcego (?!?!?), esquilo ou mocho. Céus! Que será destes jovens? Viver de noite e emitir sons estranhos? Correr muito e gostar de nozes e avelãs? Ser meio ave meio mamifero, viver em grutas e sítios duvidosos e ter uma fronha de meter medo? Não entendo.
A minha alma está de luto.

terça-feira, 16 de março de 2010

Sem etiqueta, por favor


Tenho 10 minutos para me arranjar. Utilizo-os para deixar a mala e as coisas do trabalho num canto qualquer e sair a correr. A festa já começou mesmo antes de eu saber quem é que a vai fazer ao certo. Da imagem, sirvo-me apenas dos nº5, 6, 8, 9 e 16. O(s) resto(s) é dispensável. Haverá vinho, barulho e muitas saudades. Por 2 ou 3 horas faço de conta que ainda vivo naquela rebaldaria de antes e que o meu gajo tanto odeia. Sou feliz. Pela ausência de monotonia. Pelo que já fui e pelo que conquistei.
Fui!

Aqui somos felizes: a família

Adoro ouvir estes senhores logo de manhã. O programa de hoje foi sobre a relação entre os sogros e os genros/noras e filhos. "Porque quando casamos com uma pessoa nunca sabemos se esta pertence a uma familia em que cada um está para seu lado ou se vem de um clã à velha moda da máfia Siciliana." E mais não digo.

segunda-feira, 15 de março de 2010

UP


Simplesmente fantástico! UP

sexta-feira, 12 de março de 2010

Este não é um baby blog (II)

Antes de tudo: Cara de Bolacha, este post NÃO PODE SER LIDO POR TI. Por favor!
Ora que ontem fui jantar a casa dos meus pais porque a Chica estava lá. Cheguei mesmo a tempo de lhe dar o jantar. A Chica ainda só diz não, papa, Papá, Mamã e emite sons estridentes bastantes elucidativos do que quer. Então que para que ela comesse só o prato, sem pensar na porcaria da sopa, eu sentei-me em 3 sítios diferentes, fingi que aqueci a comida no microondas, liguei o rádio porque a "senhora" gosta de música enquanto come e passei-lhe para a mãos uns talheres de plástico para ela ir comendo ou ajavardando a coisa (sinceramente não percebi muito bem). Certo é que eu estava estoirada, que só pensava nas compras que tinha de fazer a seguir ao jantar, na roupa que tinha para arrumar em casa, no que tinha de preparar para trazer para o trabalho no dia seguinte, na ... Portanto, eu tomei aquele momento como uma quebra e, por isso, gostava brincar com ela, não que ela brincasse sozinha (e à custa da minha pouca paciência) e que jantássemos como nos filmes. Tipo, cada um sentado no seu lugar, a comer, animada conversa, alguma brincadeira (em que TODOS participássemos de forma igual) e essas coisas. Nada. A Joana tomou este momento como mais um, de entre muitos, de festa!
Às 2 por 3 mostro-lhe cara feia. A miúda olha para mim e começa a querer avacalhar ainda mais a pouca ordem que já havia naquele jantar. Quando eu estou quase quase a passar-me para o outro lado, a Chica abre um sorriso gigante e comunica telepaticamente comigo (sim, eu apanhei a mensagem): estava só a ver se estavas atenta. Ehehe Estou a brincar! Eu não sou sempre assim.
Nesta altura, os meus pais dizem: oh S. não mostres essa cara à menina que ela é muito calminha. Hoje não está bem disposta. Coitadinha! E eu: o que entendem vocês por calminha? Espera, mas as crianças, em horários pós-laboral (sim porque no laboral, eu tenho uma ideia de como é e confesso que gosto muito) normalmente são piores?
Como é que isto acabou? Então acabou comigo a pensar que se algum dia pensar em ter filhos tenho de me inscrever antes num CPM. Já que não fiz para o matrimónio, agora tenho de o fazer para a maternidade. Não me escapo! E com a minha mãe a pensar que realmente não era nada bem pensado a convivência tão chegada com os meus sobrinhos. Tipo: passar férias com eles ou dar-lhes o jantar depois de um dia cheio de trabalho. Mas ao invés de exprimir tais pensamentos, a minha mãe, como grande Senhora que é, compôs a coisa dizendo-nos (sim, eu sei que ela também disse isto a ela mesma): Vá S. tudo vem com o tempo!

quarta-feira, 10 de março de 2010

Prioridades


Já me decidi: lá em casa não teremos nunca uma senhora como esta mas uma outra que trata das minhas costas, pés e pernas como ninguém. Foi-me apresentada ontem. E quero lá eu saber do preço.

terça-feira, 9 de março de 2010

segunda-feira, 8 de março de 2010

As profissões e nós

Sempre me fez muita confusão mas mesmo muito confusão pessoal que não gostava de falar da escola. Tudo bem, eu também não achava grande piada divagar sobre disciplinas onde tinha más notas ou onde as matérias não despertavam a minha atenção ou mesmo onde o professor fosse mau como as cobras. O certo é que todos os anos havia 2 ou 3 que eu gostava e das quais não me importava de falar, discutir, descobrir mais, enfim, eu tomava aquelas matérias como uma parte de mim.
Hoje, com o meu trabalho é a mesma coisa. Não trabalho de graça. Não gosto de ser gozada. Não tenho paciência para injustiças ou para faltas de respeito. Até ai tudo certo. Agora, amo profundamente o meu trabalho. Não me vejo a fazer outra coisa apesar de todos os pesares. E tal como na escola, não me importo de trabalhar ao fim-de-semana, de ir de férias e procurar coisas para o meu trabalho, de chegar a casa e discutir com o gajo coisas novas para fazer e por ai adiante. E faço isto com toda a consciência de que não sou estranha nem workaholic. Afinal, o meu trabalho é também uma parte de mim. Certo?

sexta-feira, 5 de março de 2010

A grande entrevista, velha conversa

Gosto do Dr. Medina Carreira. Acho que tem um pensamento crítico brilhante, faz uma análise desapaixonada da nossa sociedade e apresenta propostas concretas de mudança. Gosto muito de o ouvir e julgo que parte do seu percurso mostra a idoneidade do seu carácter. É verdade.

Mas ontem, enquanto o ouvia na Grande Reportagem, fiquei com um gosto a azedo na boca. Isto porque grande parte das críticas que fez, eu já as li em alguns escritos do Eça de Queirós, durante o século XIX: "O governo não cai porque não é um edifício, sai com benzina porque é uma nódoa!"

Entristece-me que mais de 100 anos depois, esta afirmação seja verdadeira. Mas entristece-me muito mais constactar que não há inimigo maior de Portugal que os próprios Portugueses. Irrita-me a falta de governo, as politicas desadequadas, uma avaliação deficitária, a corrupção latente, a instrução miserável. É verdade. Mas irrita-me em dobro o Zé Povinho que chega todos os dias atrasado, que estaciona o seu carro de qualquer forma sem pensar em quem vem atrás, que se endivida para comprar presentes de Natal ou as férias de Agosto.

Se eu pudesse beber um chá com o Dr. Medina Carreira gostaria de lhe dizer que como portuguesa não estou disposta a continuar a criticar o governo pelo simples motivo de que isso é fácil. Mas estou empenhada em saber o que posso eu fazer pelo meu país, que maneiras tenho de mostrar o meu orgulho e de me empenhar na melhoria de Portugal. Urge a responsabilização de todos nos seus trabalhos, nas suas vidas. E faze-lo não porque o Governo manda, ou o chefe dita, ou o Presidente ordena mas porque eu assumo integralmente as minhas responsabilidades. Convenhamos: todos nós aprendemos a certa altura da nossa vida a acordar cedo para ir trabalhar sem que as nossas mães nos chamem.

Por último, hoje acho que é a altura indicada para fixarmos de uma vez por todas aquilo que não foi explicado nos primeiros anos depois da Revolução de Abril: um direito vem sempre ligado a um dever.

quinta-feira, 4 de março de 2010

Quando chegar a crescida

Ontem descobri que o que gostava de ser quando fosse grande era PILANTRA. Assim daqueles à moda antiga! Nada de piratas porque andam com armas e eu não gosto de violência. Nada de assaltantes porque usam a força em vez da cabeça. Nada aldrabões porque mentem com quantos dentes têm na boca. Nada de políticos porque a prática já nada tem que ver com o conceito.
Gostava de passar os dias a engendrar planos para pregar partidas (inofencivas) aos velhinhos muito velhinhos, de entrar em vários sítios e imaginar brincadeiras buedas divertidas, de fazer caretas e cantar alto no meio da rua, de me rir só do que estivesse a imaginar fazer, de, enfim exercer qualquer coisa entre a Alice (no País das Maravilhas), a Amelie Poulain e o Panda Kung Fu.
Hoje percebi que o que quero ser é criança.

quarta-feira, 3 de março de 2010

terça-feira, 2 de março de 2010

PPR

Há uns tempos a esta parte, o meu gajo e eu estivemos a pensar no nosso Plano Poupança Reforma e já nos decidimos! A escolha não foi fácil, muita conversa sobre prós e contras, muita leitura de folhetos e mais folhetos, muitas continhas feitas à vida até que chegámos a um consenso. O Plano é o seguinte: assim que sair a nossa reforma, fazemos a mala e compramos 2, e só 2, bilhetes de avião para o sítio qualquer que nos apetecer na altura. Saímos de casa algures entre o Natal e a passagem do Ano. Prometemos ligar de quando em vez e que traremos um presentinho para cada um. Quando chegármos a esse tal lugar logo veremos o que nos apetece fazer, para onde vamos a seguir, etc. E assim será até ao dia 23 do ano seguinte, data em que aterraremos outra vez em Portugal para nos "colarmos" ao Natal de alguém. Ficaremos um mesito em casa para retemperar forças, ir aos médicos todos e fazer outras coisas que os reformados fazem. Ora, concluidas estas tarefas familiares, voltaremos à estrada, ao ar ou ao mar, conforme a disposição.
Posto isto, qual é a idade da reforma mesmo?

segunda-feira, 1 de março de 2010

Tenho...

  • vontade de ver filmes parvos deitada no sofá
  • um calo em cada pé que me doem p'ra caneco
  • a cozinha cheia de loiça para arrumar (contando já com a estúpida máquina que está cheia até às orelhas)
  • falta de apetite para trabalhar
  • um corte no dedo vizinho do mindinho da mão esquerda que não há maneira de cicatrizar
  • sono
  • 3 livros para ler e fazer apontamentos (e tirar ideias para actividades e devolver à dona)
  • o jantar de hoje, amanhã e do resto da semana feito
  • a caixa de mail quase entopida com porcarias que me mandam
  • montes, montinhos e montanhas de trabalho para fazer amanhã
  • a casa limpinha
  • uma consulta no médico para marcar (e vontadinha? 0)
  • uma chávena de chá de jasmim vazia ao meu lado
  • os transportes públicos para ir para casa
  • uma reunião marcada para o final do dia de amanhã que não tem hora para acabar
  • que desligar a porcaria do PC e ir apanhar ar antes que fique com os miolos fritos.

Por Rosa Lobato Faria

Um dos últimos textos assinados pela Rosa Lobato Faria (revista Women’s Practice, edição Julho/Agosto 2009)
MAZELAS
Aos 77 anos, como é natural, aparecem-nos todas as mazelas. Insignificâncias: uma dor aqui, uma dor ali, na perna, na cabeça, uma pequena coisa na pele, na unha, no olho. Não ligo nenhuma. Porque a minha pior mazela é não acreditar que tenho 77 anos.
Eu bem me farto de dizer aos quatro ventos a minha idade para ver se interiorizo esse facto, mas por dentro, estou na casa dos trinta, vá lá quarenta, e não passo daí.
Setenta e sete anos? Que loucura!
Tenho sempre tanta coisa para fazer, para acabar, para ler, para escrever, tanto lugar para visitar, tanto museu para ver e depois as mazelas – ai! – mas vou, porque tenho trinta anos e, evidentemente, tenho que ir.Não tenho a noção de ser uma senhora velha. Digo Estava lá uma velhota, ou Imaginem que uma velha… Estou a falar de pessoas provavelmente mais novas do que eu, mas não me enxergo. Até quando irá durar esta idade subjectiva que não me deixa envelhecer tranquilamente?
Só quando me oferecem o braço (já caí na rua e parti a perna, mas nem assim…), quando me sentam no lugar de honra à mesa, quando me dão o assento da direita no automóvel, quando não me dirigem galanteios (que estranho!) acordo para a realidade: ai, é verdade, tenho 77 anos, que maçada…Ultimamente, tive (ou tenho, ainda não percebi) cancro da mama. Como acho que Deus não me ia mandar esta doença só para me chatear, abri uma campanha de sensibilização (televisão incluída), para que as mulheres façam mamografias. Transformei a porcaria da doença numa coisa positiva. Passei os trâmites habituais: operação, radioterapia, etc. Tudo pacífico. Ainda por cima o médico disse-me que era pouco provável que o cancro me matasse, porque, na minha idade, as células já não são o que eram… Ai, sim?
Tenho 77 anos, que alegria!...