Sou muito "tuga" em vários aspectos. Um deles é o saudosismo exagerado que nos domina por completo e nos acompanha à laia de "fado". Julgo que mesmo antes de sermos este Portugal territorial de agora, os nossos antepassados já sentiam este amor extremo, à distância.
Hoje passei outra vez lá. Montes de gente. Uns correm, outros choram (alegria, tristeza, sei lá), outros exibem grandes cartazes, outros mostram abraços fortes.
Não tanto as partidas mas a chegadas, tocam-me profundamente. De olhos pregados naquela porta que abre e fecha vezes e vezes sem conta, sorriu. Ao meu lado está um Camões ou um Pessoa ou quem sabe, um Eduardo Lourenço. Às vezes choro também. Choro por não conseguir controlar as lágrimas de emoção.
"- Ah!!! Lá estão. Chegaram!!!! Que saudades!!! Por aqui. Sim, por este lado."
Oiço com atenção uma conversa que sei de côr. ("Que saudades!!")
Penso de onde viram, que coisas trazem, para onde irão matar as saudades desta terra? Por quanto tempo vêm? ("Quem saudades!!!") Que mais lhes fez falta? Será que voltam a partir?
É um gosto muito forte na boca, um nó na garganta, um alivio de coração, depois. Julgo-nos uma grande familia que, ao fim de um tempo, se reencontra toda na terra que os fez homens e mulheres. Juro que nos conhecemos todos e sonho que, um dia, aquela porta vai deixar de abrir e chegar.
Ahhh Saudades!
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