Marcámos um jantar lá em casa. Tardio como convém a quem tem coisas para fazer depois do trabalho. Uma coisa simples: vinho (da casa!), pizzas pré-cozinhadas, gelado. O espaço estava inexplicavelmente quente e a cozinha pareceu-nos um bom sitio para darmos asas à conversa.
Para quem não sabe a amiga C., a Chocolate e eu estamos nestas jantaradas desde há... Umas vezes com muita mais gente e muito mais confusão, outras só as 3. Mesmo quando não há ramboia e o assunto exige seriedade, lá estamos nós. É um registo de dificil compreensão porque cada uma ocupa um lugar especial e bem definido. Não há confusões. Mas o resultado desta convivência é um autêntico galinheiro. Pois que rimos e falamos alto, pois que cada uma conta de si, pois que é bom! Muito bom mesmo.
A Chocolate ocupa a "primeira parte" do tempo. Diz, fala, reafirma coisas que nenhuma de nós quer acreditar mas que fazem parte dela e que por isso sabemos, são verdade! A amiga C. fica mais calada. Pensa, analisa, dá saltinhos, adormece e acorda a meio da conversa sempre com o mesmo tom de voz. Faz perguntas de cientista e a sua complexidade permite a compreensão da complexidade do outro. Eu, acho, fico no meio. Sou a dona da casa, a mulher que tem medo que a comida falte, a acelerada por definição, a da roupa quentinha!
E pronto, aqui voltaremos muito antes da segunda garrafa de vinho de transformar em vinagre.
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