quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Clara, por Caetano Veloso

Quando a manhã madrugava
calma alta clara
clara morria de amor.

Faca de ponta
flor e flor
cambraia branca sob o sol
cravina branca amor
cravina e sonha.

A moça chamava Clara
água
alma
lava
alva cambraia no sol.

Galo cantando cor e cor
pássaro preto dor e dor
um marinheiro amor
distante amor
e a moça sonha só
o marinheiro sob o sol
onde andará meu amor
onde andará o amor
no mar amor
no mar ou sonha.

Se ainda lembra o meu nome
longe
longe
longe
onde estiver numa onda no mar
numa onda que quer me levar
para o mar de água clara
clara
clara
clara
ouço meu bem me chamar.

Faca de ponta dor e dor
cravo vermelho no lençol
cravo vermelho amor
vermelho amor
cravina e galos.

E a moça chamada Clara
clara
clara
clara
alma tranquila de dor.


Palavra & Arte: literatura, gramática, redação (1996)

Eu acrescento:

Clara como uma manhã de Sol
Início da Primavera
O depois das chuvas e frio
As ideias e o Ser
E ainda,
a Certeza.
Clara.

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