6ªf depois de muito corre-corre lá chegámos a casa. Vontadinha para tratar do jantar? Nenhuma! Ao gajo apetecia-lhe indiano e como é perto de casa, bom e nada caro, lá fomos nós à tasca. O dono é do Bangladesh. Orelhas tipo dumbo, recebe-nos sempre com um sorriso de orelha a orelha. Nunca percebemos como é que o homem se chama verdadeiramente: Gasi, Quasi. Pouco importa. Senta-se connosco na mesa e só com o riso dele, nós desata-mo-nos a rir também. É uma fraca figura a nossa, eu sei. Fala mal português. Mete de quando em vez umas em inglês e como se não bastasse, é gago e posto isto, eu acho que não preciso de dizer mais nada... Temos o telemóvel dele que utilizámos uma única vez e sabe Deus como conseguimos fazer-nos entender quanto ao dia, ao que queriamos comer e às horas.
Continuando. Aconselha-nos sobre o que é fresco, o que é pouco picante e o que tem de novo. Deixa sair uma asneirola e com os olhos muito abertos e um tanto ou quanto aflito, diz-me só a mim: Ai, desculpe. Segue viagem para servir o resto dos clientes que invulgarmente, naquele dia, quase que enchem o restaurante. Temos assim mais tempo para apreciar o restaurante. Um ecrã gigante com música e danças de Bollywood. Símbolos e mais símbolos do yoga. A zona da caixa que comunica com a cozinha em forma de coreto, verde. Uma imagem de Nossa Senhora num altar ao canto (sem terço e com sorriso aberto). Não nos atrevemos a perguntar nada. Ficámos apenas boqueabertos. Veio a conta, o multibanco e o recado do nosso amigo: façam vocês o pagamento que eu tenho de ir ali.
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