Um dia chegamos à escola e de olhos arregalados pensamos que os mais velhos que estão 9º ano prontos a escolher a área, é que são crescidos. Depois chegamos ao 9º ano e percebemos que nos mantemos no mesmo estado infantil. Nessa altura juramos que quando estivermos no 12º ano é que seremos "grandes". No 12º ano perdemo-nos entre o pânico de não entrar na Faculdade, os namoros mal resolvidos e os amigos das borgas: sentimo-nos uns fedenhos. Temos então a certeza de que quando entrarmos para a Universidade é que seremos homens e mulheres de verdade. No 1º ano do curso só temos vontade de gritar entre a alegria de um sistema de ensino novo e o "e agora? se ao menos eu já fosse crescido!!" Nessa altura, convecemo-nos de quando terminarmos o curso seremos capazes de responder à altura: um adulto de plena consciência. Quando terminamos o curso percebemos que somos tão crianças dentro do mercado de trabalho como quando entrámos para a escola. É então que pensamos que quando comprarmos a nossa casa é que será; qual fita a marcar o fim do estágio infantil e e entrada no mundo dos crescidos. Quando a casa está comprada sentimo-nos minimos face a divida que temos com o banco, os vizinhos marados, a água, a luz e o gás. Pensamos milhentas vezes que se ao menos fossemos crescidos...
É por isso que hoje olho para quem tem emprego, casa para pagar e filhos para criar e penso: eh pá quando tiver putos é que vai ser. Vou-me sentir uma crescida de verdade! De pleno direito e consciência.
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