quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Aqui somos felizes: dormir (II)

São já conhecidos os meus diálogos com o gajo quando um de nós está a dormir e o outro acordado. Nós queremos muito acreditar que isto acontece só porque gostamos tanto de falar um com o outro que mesmo a dormir, insistimos em falar. Pouco importa se o que está acordado não percebe nada. O que interessa é a (suposta) interacção. Ora noutro dia, o gajo diz que eram para aí umas 3 ou 4 da manhã quando eu alto e bom som lhe pergunto:
- O que é que se passa?
- O que é que se passa com o quê? Estava a dormir. Assustaste-me. - responde ele.
Eu, está-se mesmo a ver, sou uma mulher que não se contenta com uma resposta que é, no fim de contas, uma pergunta muito menos se deixa abalar por estados de espírito alterados. Insisti:
- Sim, mas o que é que se passa?
Nesta altura, o gajo perdeu a compostura e disse-me:
- Eh pá, oh S. mas o que é que se passa com o quê? Tu dorme mas é!
E eu, qual cachopa obediente, virei-me para o outro lado e não dei nem mais um pio a noite inteira.

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