sexta-feira, 5 de março de 2010

A grande entrevista, velha conversa

Gosto do Dr. Medina Carreira. Acho que tem um pensamento crítico brilhante, faz uma análise desapaixonada da nossa sociedade e apresenta propostas concretas de mudança. Gosto muito de o ouvir e julgo que parte do seu percurso mostra a idoneidade do seu carácter. É verdade.

Mas ontem, enquanto o ouvia na Grande Reportagem, fiquei com um gosto a azedo na boca. Isto porque grande parte das críticas que fez, eu já as li em alguns escritos do Eça de Queirós, durante o século XIX: "O governo não cai porque não é um edifício, sai com benzina porque é uma nódoa!"

Entristece-me que mais de 100 anos depois, esta afirmação seja verdadeira. Mas entristece-me muito mais constactar que não há inimigo maior de Portugal que os próprios Portugueses. Irrita-me a falta de governo, as politicas desadequadas, uma avaliação deficitária, a corrupção latente, a instrução miserável. É verdade. Mas irrita-me em dobro o Zé Povinho que chega todos os dias atrasado, que estaciona o seu carro de qualquer forma sem pensar em quem vem atrás, que se endivida para comprar presentes de Natal ou as férias de Agosto.

Se eu pudesse beber um chá com o Dr. Medina Carreira gostaria de lhe dizer que como portuguesa não estou disposta a continuar a criticar o governo pelo simples motivo de que isso é fácil. Mas estou empenhada em saber o que posso eu fazer pelo meu país, que maneiras tenho de mostrar o meu orgulho e de me empenhar na melhoria de Portugal. Urge a responsabilização de todos nos seus trabalhos, nas suas vidas. E faze-lo não porque o Governo manda, ou o chefe dita, ou o Presidente ordena mas porque eu assumo integralmente as minhas responsabilidades. Convenhamos: todos nós aprendemos a certa altura da nossa vida a acordar cedo para ir trabalhar sem que as nossas mães nos chamem.

Por último, hoje acho que é a altura indicada para fixarmos de uma vez por todas aquilo que não foi explicado nos primeiros anos depois da Revolução de Abril: um direito vem sempre ligado a um dever.

1 comentário:

Anónimo disse...
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