Ontem fui a uma nova manicure. Ora, a dita senhora (com idade para ser minha mãe, baixinha, redondinha, com os olhos pequeninos e os óculos na ponta do nariz) estava muito concentra no seu trabalho. As 3 "galinhas" à volta dela cacarejavam sobre as revistas, os filhos, as gravidezes, os casamentos, os maridos, os pêlos, as marcações, riam, falavam da Tátá e da Tia Mimi e volta e meia "picavam" a doce manicure. O sorriso da senhora combina com o meu: ela, porque estava pouco à vontade com a minha presença (talvez seja das minhas: vem aqui porque tem mesmo que ser! Pensei eu. Santa ingenuidade...) e eu porque estava estupefacta com aquele "espetáculo".
Naqueles 3 quartos de horas eu puxei por tudo o que há de mais gaja em mim mas convenci-me de que ... eu é mais bolos! Sim. Não gosto de tanta gaja junta com ataques hormonais. Gostava muito de gostar, a sério que gostava. Mas não consigo. Senti-me uma alien: não não tenho filhos para levar à natação, não não o meu marido não me deixou depois de me dizer que tinha o peito descaído, não não sei quem é a irmã da Gisele não sei das quantas. Eu nem me atrevi a abrir a boca: primeiro porque não tinha nada de mais inteligente para dizer do que pois. Depois porque estas galinhas estavam mais interessadas em falar do que em ouvir.
A certa altura, já estava eu morta por sair dali ou, também servia, à espera de um pilas que chegasse a qualquer momento para equilibrar a coisa, quando sinto um click em mim. Quer dizer, um alerta sonoro, brilhante, enorme, de todas as cores, muito forte, dentro de mim:
- Não. Não sou tarada sexual. Eu até gostava de ser. Às vezes dava jeito. Sim porque nem sempre me apetece, não é? E depois o meu marido... - diz a doce manicure.
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