Adoro quando o pessoal me toma por parva. Gosto. Pronto. O que é que eu hei-de fazer? Há os que gostam quando o seu trabalho é reconhecido. Os que fazem tudo por um elogio. Os que se alegram quando as coisas correm bem. Eu, e quanto mais não seja só hoje, fico feliz da vida por certas e determinadas pessoas me tomarem por parva. Ora, ontem à noitinha decidi pôr a conversa com umas quantas pessoas. Páginas tantas, chegamos aquela pergunta do cocó que eu ADORO. Oiço atentamente do outro lado do telefone:
- Então e não tens novidades assim nenhumas para mim?
Isto dito assim a seco não tem tanta graça como ouvido, claro. (para já não falar na piada de quando a coisa não passa da minha cabeça para a minha boca e portanto eu tenho a liberdade para formular as coisas mais mirabolantes.) Respondo eu:
- Oh então não tenho? (isto cá em casa é como no Continente. Fica já toda a gente informada.)
- Ah é? Então e não contavas nada?
(Espera. Afinal eu não gosto SÓ quando me tomam por parva. Eu também ADORO quando descubro uma potencialidade qualquer para gozar o prato!)
- Pois é. Desculpe. Então vamos para o Sri Lanka de férias e estamos excitadíssimos com a coisa. Mais? O N. está de volta dos trabalhos do doutoramento que entretanto começou. Eu lá continuo a correr de um lado para o outro e cada vez com mais trabalho que é sempre bom. papapapapa
Que fique aqui registado que eu estive a falar da minha, da nossa vida para ai uns 5 minutos sem parar, nem (é a melhor parte) dar se quer hipótese ao meu interlocutor para me interromper. Consegui transformar coisas perfeitamente banais em acontecimentos dignos do epiteto de NOVIDADE.
Como é que isto terminou? Ora pois bem. Com o meu interlocutor a dizer: Muito bem. Sim senhor. Gosto sempre de saber das NOVIDADES. E a pensar: Ai coitada, é mesmo estúpida. Então não percebeu sobre o que é que eu estava a falar? Credo, não a tinha na conta de tão básica.
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