Outro dia descobri a cigana escondida dentro de mim. Daquelas que vivem em clã, impenetrável; que tem uma Ford Transit onde cabem todos os seus pertences; que vivem entre um sítio e o outro porque todo o mundo é seu; que não tem regras, nem horários mas música que os embala. Vejo-me a conduzir a carripana, a apagar a fogueira de manhã cedo (sinto o cheiro ligeiro a fumo), a vestir-me de preto, a cantafalar (a alegria é-me tão essencial como a água). Retiro a parte da pancadaria, o eventual tráfico e todo esse lado mais obscuro. Nos meus sonhos vivo deles mesmo e não dos apoios do Estado ou da caridade alheia. Vamos, de malas aviadas, para onde nos der na cabeça sem ter de prestar satisfações do que somos. E basta-nos isso para sermos inteiramente felizes.
(You know its time that we grow old and do some shit
I like it all that way
I like it all that way...)
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