Se eu pudesse, não regressaria. Implica fazer malas. Demorar tempos infinitos em meios de transportes. Deixar o sossego. Organizar coisas e mais coisas. Fazer telefonemas infinitos. Implica despedidas. Chorar. Sentir a falta. Desejar profundamente que o tempo passe a correr para chegar ao ano a seguir. Implica criar uma curaça que nos defenda de coisas que nos fazem sofrer chamadas sentimentos. Há quem chame crescimento. Há quem não sabia viver com. Há quem daria tudo para saber como ser feliz, assim.
Hoje, ao pequeno-almoço perguntei ao Igo: Queres voltar para casa? Ele respondeu-me com os olhos a brilhar, tentando adivinhar em mim, uma solução mágica: Não. Continuei: Eu também não quero ir trabalhar. Vamos trocar?
Estivemos meia hora a desenhar no ar todo o cenário que nos permitia trocar de identidade. A altura, os óculos, o nome, a mãe e o pai, a casa, as funções a cumprir, o nome da professora, as actividades para preparar, os amigos do recreio, o carro, as saudades. Naquela meia hora acreditámos os 2 que seria possível e isso, por um instante, diminui a nossa tristeza do regresso dele.
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