Ora que como a nossa alma ainda está de férias (o corpo, esse vil traidor, foi o único a descer à realidade) fomos convidados para um pic-nic. Há canos que não faço um e adoro de paixão. Falei a medo ao meu gajo na coisa. Resposta:
- Que? Eu não tenho tempo para isso. Não fiz nada do Doutoramento durante as férias e agora tenho de adiantar as coisas.
Encolho-me no meu cantinho e mudo rapidamente de conversa. Mais à frente voltámos à conversa: quem é que vai? onde vai ser? quando é que é? Eu na minha. Digo que seria engraçado porque é só gente nova. Resposta:
- Eu não tenho idade para isso. Tu vais se quiseres.
Por momentos confundo-me com um qualquer saco de boxe. Aguento firme e sem dizer um ai, que estava assim pontinho a estalar. Dai a um bocadinho:
-Sabes que eu quando era puto a minha familia fazia pic-nics quase todos os fins-de-semana. Eu já te contei. Quando chovia, não iamos. Mas de resto, era sempre. Ia o povo todo de manhã cedo e faziamos um mata-bicho enquanto o lume não pegava e depois ficavamos lá o resto da tarde.
- Faziam um quê?
- Uma entremeada quentinha no pão. Bem bom!
- Ok.
Jantámos. Tratámos de mais umas coisas e quando eu já estava quase na cama grita-me ele da cozinha, à frente do frigorifico:
- Para o pic-nic levamos 1 kgr de entremeada, 1 kgr de febras, 1 pacote de batatas fritas e salada. Quanto a ti, frigorifico da m****, amanhã vai com o c***.
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