O Sri Lanka foi, até hoje o país que visitei que mais baralhada de me deixou: gostei e não gostei. Certeza certeza tenho que só volto lá depois de ver o mundo inteiro. Desta vez, e a primeira desde que me entendo por gente, no fim das férias quis voltar desesperadamente para casa e essa foi, sem dúvida, uma aprendizagem e tanto. Tenho-me como um saltimbanco sempre de cabeça no ar e com os olhos já do outro lado (sabe Deus onde) para quem o verbo regressar causa tanto mal como a cruz ao diabo. Descobrir a alegria, anseio do regresso é algo novo. Completamente novo.
Quase um mês depois da nossa chegada descobri que vim mais magra (coisa muito de gaja e nunca vista durante as férias). A noção que tinha do tempo alterou-se por completo. Na verdade, o Sri Lanka é o país onde não há tempo. Talvez as pessoas messam a passagem do dia para a noite pelo número vezes que fazem o mesmo caminho ou em quantidade de especiarias vendidas ou em copos de água quente bebidos. Não faço a menor ideia mas fascina-me esta coisa de ainda ser... e não de já ser. Estou mais livre de coisas supérfulas. Quando se viaja e sobretudo, quando se viaja para um sitio onde tudo é novo, a noção de supérfluo aumenta desmesuradamente. Viemos, vim com um toque de sorte que nos, me desperta. Desperta-nos para o somos, para o que temos e sobretudo para o que julgamos ser essencial ter para sermos. Lá está: qualquer coisa próximo do supérfluo.
Na verdade, e graças ao Sri Lanka, percebi que as coisas que tomamos por garantidas no dia-a-dia são no apenas e só para nós. Viajar (e por isso voto a favor da ideia de que todos os Portugueses deveriam ser obrigados a viajar todos os anos) abre a cabeça e dispara lá para dentro um balão cheio de ar. De seguida forma-se um remoinho sem que tenhamos tempo para resguardar nada. Vira-se tudo do avesso e é assim que, meios atordoados, nos dizem gentilmente: Welcome to Sri Lanka.
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