Ainda a propósito deste post. No fim-de-semana passado cresceu em mim uma violenta vontade de fazer desta ideia, uma realidade. Mesmo à séria. Deixar para trás os planos dos próximos tempos. Pedir aos amigos, à familia e ao trabalho que esperassem um ano porque nós iamos ali e já voltávamos. Mesmo à séria. Estoirar algumas poupanças que me custaram tanto a amealhar. Ir sem destino, saltitando de cidade em cidade, dormindo em quartos alugados, pensões baratas. Conhecer novas pessoas, descobrir outros sítios, respirar pausamente e sem pressas outro espaço. Mesmo à séria. Porque nesta altura sinto-me a reproduzir coisas e não a criar. Sinto-me alapada a uma rotina de trabalho-casa, mais trabalho-menos casa e o cansaço desta sobrevivência desgasta-me. Eu e o Sr. Eng. já tinhamos falado disto a propósito da nossa reforma. Mas este fim-de-semana achei que até essa altura eu poderia morrer levando para a próxima encarnação este desejo louco de experimentar o imprevísivel. O Sr. Eng. olhou-me devagar: tem a casa que ele escolheu, o emprego pelo qual ele lutou (onde agora se sente, pela primeira vez, frágil), um doutoramento a meio, está com a familia e os amigos e diz que se casou com a mulher da vida dele. Portanto, mudar o que está perfeito para quê? Eu disse-lhe que quando ando na rua olho sempre para o céu. Não quero saber se este gesto me leva a pisar um cocó de cão ou se esbarro com alguém. O céu é só uma das minhas etapas (sim, está longe de ser o limite!) Por isso, e apesar de concordar com uma parte do que ele diz, discordo da parte do medo do "salto em queda livre". Porque a maluqueira de viver apaixonadamente, de trocar as voltas ao instituido, de às vezes correr bem e outras mal, de decidir sem pensar é qualquer coisa que também me define e que assim de repente eu agora gostava de ser! (não ficamos por aqui...)
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