Se eu pudesse escolher uma única palavra para resumir o pior que a maternidade me trouxe, diria FRUSTRAÇÃO. Por mais conselhos que se oiçam, livros que se leia, férias com sobrinhos, trabalho com putos, o diabo a sete, nada nos prepara para isto de ser Mãe. (Talvez seja um "lugar comum" mas para mim tornou-se A verdade das verdades.) Só que, feliz ou infelizmente, do alto da minha arrogância, eu achei que tinha a "cartilha da maternidade" na ponta da língua e que eu ia fazer, e acontecer, e pôr e dispor e... a Meia Leca tem 2 meses e eu já me esqueci da "abençoada" cartilha. É a Meia Leca que manda (e o pior é ouvir dizer: É normal!). O meu trabalho soma-se em listas e listas intermináveis com um mesmo título: URGENTE. A arrumação, limpezas, e outras tretas da casa são feitos sempre a correr e eu, eu S., já não me reconheço bem neste corpo que deixou de ser meu para ser, primeiro a Mãe da Meia Leca, depois a Dona de casa, depois a Tipa que trabalha na empresa X, depois Mulher do Sr. Eng. e finalmente (algures, onde eu ainda não cheguei) a S.
E assim é no reino de Berlim: eu até podia não dormir de todo porque mesmo assim não conseguiria fazer tudo o que planeei; eu até podia não ter esta Meia Leca. Ainda assim deitaria fora a "cartilha".
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