sábado, 26 de maio de 2007

Sobre o gostar e o deixar gostar-se (III)

São como cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?


Eugénio de Andrade

2 comentários:

Mestre Professor Pardal disse...

Eu cá gosto! :P

Anónimo disse...

As palavras são o nosso melhor instrumento. Com elas pode-se fazer ou resolver ou sei lá, tanta coisa que podemos ser utilizando-as na sua verdadeira essencia.