quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

A soma dos dias


Estou a ler a mais recente obra de Isabel Allende. Gosto dela, quer dizer da forma como se transmite pela escrita; daquilo que é igual a todos nós. Para mim trata-se de quase um diário pelo que vou rindo, chorando num movimento que me envolve e quase me engole.
Penso nos "meus":
- a T. que um dia ligou a dizer que o bébé que tinha na barriga sofria de Trissomia 21. Foram horas de aperto até a mãe saber e o pai apanhar o primeiro avião para lhe ir fazer companhia (Coitada, já tinha um problema. Ter levado naquela altura com outro peso foi de Mulher! As partidas da vida: temos sempre a oportunidade de resolver o que deixámos pendente.)
- o J. que apresentou a namorada e de seguida anunciou o casamento. Não me posso esquecer do que foi adaptar-me (nos) àquele fogo ardente. E entretanto, como dizia o pai, tudo passou e hoje, a senhora, está grávida.
- a Chocolate que jurou a si mesma uma vida diferente, longe da confusão (?) e que acabou por lá casar e por cortar com os seus (quase todos). Falei com ela outro dia, mais para lhe dizer que tinha saudades do que para saber das novidades. Que importa isso quando nos aperta o peito e choramos por um abraço? Volta em Janeiro. Pena que não seja no Natal.
- a amiga C. vive e recria uma realidade muito dela onde apenas os eleitos podem entrar. Por vezes, é com esforço que a entendo. E no final das contas, será que a entendo mesmo??
- a outra mosqueteira que entretanto voltou para a provincia, como ela diz, que se esforça (mais do que nunca) pela responsabilização e que procura ansiosamente por alguém que a ame e lhe diga: " Nha nha, não tenho medo de caras feias!!!"
E outros tantos. E eu.
O mestrado. O novo trabalho. A consciência e a confiança. A vida a crescer em mim e eu a deixar que ela passe.

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