quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Ainda a propósito do Tea Time: o 794

Pois é. Desço eu a R. Augusta e já era noite serrada. Chego à Praça do Comércio e está tudo em obras. Porra! Esqueci disto. A primeira paragem diz: Desactivada em letras garrafais. A segunda: Desactivada em letras mais pequenas. Na terceira (escolhia só por tinha 2 ou 3 pessoas sentadas e se por acaso estivessem enganadas, pelo menos não seria só eu a fazer figuras) tento perceber qual seria o número da carreira que me interessava. Se não quando, chega-se uma senhora ao pé de mim e pergunta para onde quero ir.
- Expo, minha senhora. Por favor, não assim tão longe nem tão complicado. Pois não? (Eu já quase desesperada!)
- Então, está a ver ali o Ministério? Vai por essa rua sempre em frente e mesmo à porta do Ministério está lá a paragem. - responde-me a senhora.
Sigo tudo à risca as indicações quando vejo o 794 - Parque das Nações. Entro no bicho e sentadinha tenho dos pensamentos mais precipitados e infelizes da minha vida:
- Ah! Que bom. Nem tive de esperar nada. Agora é um tirinho até casa. É sempre em frente. Não tem nada que enganar.
Ora até à Madredeus correu tudo muito bem, mas no cruzamento já em Xabregas o estúpido do autocarro virou para a esquerda em vez de para a direita. Penso:
- Ah! Não faz mal. Ele já vira depois na Bela Vista.
(sobre pensamentos precipitados e infelizes estamos conversados não é?)
Ora na Bela Vista Em vez de virar à direita, o ca*** do autocarro virou para a esquerda e eu fui conhecer as Olaias, Marvila, passei na pastelaria Gata e na casa de frangos Pipi. Mais à frente tento perceber onde estou mas desisto rapidamente. Páginas tantas, avisto o ISEL e penso:
- Ah! Agora é que é. Sempre em frente e já lá estou.
(sobre pensamentos precipitados e infelizes não vou dizer mais nada.)
O parvalhão do motorista vira para Chelas e de lá desce em direcção à alfandega e quando chega aos semáforos e eu estou prestes a dizer: Passe para cá já o autocarro que agora quem conduz sou eu! o estúpido, em vez de virar para a esquerda vai dar a volta à rotinda do Braço de Prata. Foi nesta altura que eu me preparei para ir até Odivelas, Sacavém e Vila Franca de Xira antes de chegar a casa.
Quando finalmente páramos à minha porta eu salto para fora do autocarro e dou um grito: yeeeee! Foi a alegria que não pude conter!! E assim, depois de uma hora e meia às voltas, abraço longamente o gajo e conto as minhas desventuras. Nesta altura o gajo pergunta empolgado:
- E amor, então viste aquelas vivendas em Marvila muitas giras, tatatata.
- Não! O autocarro tinha os vidros escurecidos!

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